Publicado em 22/09/2025
Ex-aluno encontra oportunidade de recomeço com o Senac
- Beleza
Após deixar a carreira na saúde por barreiras tecnológicas, Gleibson Pereira Silva, Pessoa com Deficiência Visual, retomou a vida profissional com a massoterapia
“Os desafios são diários. A gente não pode falar que não tem desafio, porque eles começam a partir do momento que você sai pra rua.” A frase de Gleibson Pereira Silva, 56 anos, resume o percurso de uma vida marcada por persistência, superação e a busca constante por novos caminhos. Ex-servidor público e hoje massoterapeuta, ele é ex-aluno do Senac Goiás e encontrou na instituição uma oportunidade de recomeço.
Diagnosticado ainda bebê com retinose pigmentar (doença que compromete progressivamente a visão), Gleibson viu sua carreira mudar de rumo com os avanços tecnológicos no hospital onde atuava como chefe de equipe. “Foram 10 anos de trabalho, depois vieram as dificuldades com a questão da tecnologia. Mudaram as centrais telefônicas, mudaram toda a estrutura, onde uma pessoa cega não tinha mais condição de trabalhar, e aí, por isso, eu tive que me ausentar do trabalho nessa área”, lembra.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2022, divulgada pelo IBGE, apenas 29% das pessoas com deficiência em idade ativa estavam ocupadas no Brasil, enquanto, entre a população sem deficiência, o índice era de 66%. Os números mostram a desigualdade e os obstáculos que Gleibson também enfrentou até encontrar no Senac uma nova oportunidade.
Toque que transforma
Com uma forte ligação com a área da saúde, ele buscou a massoterapia como forma de unir cuidado humano e bem-estar. “Eu sempre gostei da área de saúde, de lidar com as pessoas, e […] como pessoa com deficiência, eu entendo que o toque é algo muito importante para as pessoas. O toque cura e essa cura pode se dar tanto do aspecto físico, primeiramente, como depois em vários aspectos espirituais, psicológicos e mentais”, diz.
Foi no Senac Goiás, em Goiânia, que Gleibson encontrou portas abertas. “Eu pensei: ‘Bom, vai ser mais de um desafio. Vamos nos inscrever lá no Senac para ver se eles vão aceitar.’ Porque tem aquele negócio: será que eles vão deixar uma pessoa com deficiência fazer o curso de massagem? Essa foi a minha surpresa. Quando eu fui atendido, a consultora me recebeu com muita tranquilidade e falou: ‘Nós já estamos preparados para te receber.’ E assim foi.”
Ele iniciou o curso de massagem e, em seguida, se especializou em reflexologia, técnica que trabalha pontos específicos em pés, mãos e orelhas. Hoje, já atende clientes e vê no reconhecimento do público a prova de que fez a escolha certa. “A aceitação está sendo muito boa, a pessoa que vem, quer voltar de novo”, afirma.
Inclusão que faz diferença
O relato de Gleibson se esbarra também em outro dado importante: de acordo com o Relatório Mundial sobre Deficiência (OMS e Banco Mundial, 2011), práticas de inclusão em ambientes educacionais e profissionais não apenas beneficiam pessoas com deficiência, mas também criam condições melhores para todos. Ele próprio reforça essa visão: “Às vezes, as pessoas pensam que a inclusão é uma moda, um modismo, mas não. A inclusão hoje é necessária em qualquer lugar e o Senac já teve essa percepção. Porque tudo que é bom para uma pessoa com deficiência é bom para uma pessoa sem deficiência.”
Com esperança no futuro, Gleibson deseja ampliar os horizontes. “Para o futuro eu espero mais especializações, muito mais clientes e mais aprendizados”, diz.
O ex-aluno encerra sua história com gratidão e entusiasmo. “O Senac é uma das instituições mais bem requisitadas do país? E lá você tem toda a estrutura pronta para te receber, foi o meu caso.”
Assista à entrevista completa: