Publicado em 22/01/2026
Cada vez mais crianças aprendem outro idioma ainda na infância
- Idiomas
Estudo recente revela expansão do ensino bilíngue no país e aponta benefícios cognitivos, sociais e culturais para crianças expostas a uma segunda língua desde cedo
No Brasil, o ensino de um segundo idioma ainda na infância deixa de ser apenas tendência e se firma como ferramenta de desenvolvimento integral para crianças. Dados do Ministério da Educação indicam que o país conta com mais de 1,2 mil escolas bilíngues, e essa oferta tem crescido nos últimos anos, refletindo o interesse de famílias em preparar os filhos para um mundo cada vez mais conectado e globalizado.
Especialistas em educação ressaltam que o bilinguismo, quando iniciado na infância, não só facilita a aprendizagem de outra língua como também favorece habilidades cognitivas como atenção, memória de trabalho, flexibilidade mental e criatividade.
Famílias apostam no aprendizado de um novo idioma desde a infância
Para os pais, a decisão de inserir o filho em uma escola de idiomas é muitas vezes tomada com base no impacto que a fluência em outro idioma pode ter na vida da criança. Como é o caso de Beatriz Silva Tavares, mãe da Júlia, ela conta que “o motivo principal é que ela tivesse contato com o inglês, porque eu sabia que quanto mais nova ela estivesse em contato com a língua, melhor seria o aprendizado”, a filha já separa vocabulário em português e inglês e mostra desenvoltura na pronúncia.
A própria Júlia, de 7 anos, resume sua experiência com naturalidade: “Gosto de estudar. De brincar com os amigos” e diz que sente “alegria” com o novo ano de aprendizado, o novo idioma.
Já Joice Costa, mãe de Maria Alice, de 8 anos, relata que “desde quando surgiu o Idiomas aqui no Senac eu sempre tive o desejo de colocar ela no inglês, sei que isso no futuro vai abrir muitas portas para ela”. Joice observa que a filha já demonstra curiosidade ao buscar desenhos em inglês e até identificar palavras com falantes nativos durante uma viagem recente.
Para profissionais da área, não há dúvida de que a infância é um período altamente favorável ao aprendizado de uma nova língua. Suzana Medeiros, psicóloga e supervisora pedagógica, explica que “o cérebro da criança é muito plástico, muito aberto a novos aprendizados, quanto mais cedo, melhor”. Segundo Suzana, a exposição desde a infância ao idioma pode fortalecer habilidades cognitivas como atenção, criatividade e memória, além de facilitar o processo de alfabetização tanto na língua materna quanto na segunda língua.
Medeiros também desmistifica a ideia de que aprender outro idioma pode atrapalhar outros aprendizados: “Tem vários mitos, aprendizagem de outro idioma atrapalha na aprendizagem, isso é um mito”. Ela reforça que a neuroplasticidade infantil favorece esse contato linguístico sem que haja prejuízo ao desenvolvimento geral da criança.
Ela ainda reforça que não existe uma idade mínima para aprender um novo idioma. “Não tem idade para fazer idioma. É igual à nossa língua materna. A gente respeita os limites da criança, começa pela oralidade, ouvindo o português e o outro idioma, e depois vem a reprodução, sempre respeitando o tempo de cada uma. Mas não tem idade mínima”, destaca. Segundo Suzana, o contato com outra língua desde cedo gera frutos positivos ao longo de todo o processo de aprendizagem.
A vivência das crianças confirma, na prática, o impacto desse aprendizado. Gabriel Monteiro Brandão, de 10 anos, conta que começou a estudar inglês ainda no primeiro ano. “Comecei o inglês quando eu tinha 7 anos e hoje eu gosto de aprender porque é como uma segunda língua. Qualquer país que eu for, eu vou saber falar inglês. Quando eu precisar, eu vou estar preparado”, afirma. Para ele, começar cedo faz diferença: “Quanto antes você começa a aprender inglês, melhor”.
Para o presidente do Sistema Fecomércio Sesc e Senac Goiás e vice-presidente da CNC, Marcelo Baiocchi Carneiro, a educação bilíngue representa uma resposta estratégica às exigências de um mercado globalizado, onde “investir no ensino de idiomas desde a infância não é apenas preparar para exames, mas sim fortalecer competências interculturais e garantir que nossos jovens estejam aptos para um futuro social e promissor”, afirma.
O diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, reforça essa perspectiva pedagógica: “No Senac, acreditamos que a educação de qualidade deve contemplar o desenvolvimento completo da criança. O aprendizado de uma língua estrangeira desde cedo estimula não apenas a habilidade linguística, mas também a criatividade, a empatia e a autonomia das crianças”.
Crianças bilíngues no Brasil e um futuro com mais portas abertas
Pesquisas e a experiência de famílias indicam que crianças que aprendem dois idiomas têm maior facilidade em aprender outras línguas no futuro e demonstram mais segurança ao se comunicar em situações diversas. Além disso, essa prática pode promover uma compreensão mais ampla sobre outras culturas, aumentando sensibilidade cultural e empatia.
Maria Alice, tem apenas 8 aninhos de idade, mas resume de forma simples e sincera sua experiência com outro idioma: “É muito bom fazer inglês e aprender”.
Para muitos pais e educadores, investir no ensino de um segundo idioma desde a primeira infância é uma forma de cuidado, de abrir caminhos, derrubar barreiras culturais e preparar as novas gerações para os desafios de uma sociedade globalizada, um passo que ganha cada vez mais força no Brasil. E quem sabe, no futuro, esse aprendizado não ajude a tornar mais fácil aquela viagem dos sonhos para outro país.