Publicado em 13/11/2025

Com as próprias mãos, mãe e filha erguem estúdio e reconstroem a vida através da fotografia

Com o apoio da família e a força de recomeçar após uma grande perda, Letícia e Vanuzia, ex-alunas do Senac Goiás, ergueram juntas o espaço onde eternizam histórias; assista ao vídeo

Após perder o pai repentinamente e construir com as próprias mãos e com a ajuda da família seu estúdio, a fotógrafa Letícia Guimarães Camargo, ex-aluna do Senac Goiás, comprovou o poder da fotografia. “Por isso eu falo da importância da fotografia na vida da gente, de registrar momentos que às vezes não teremos mais. E, às vezes, a memória da gente falha. Então é bom reviver aquilo ali. É para a alma. Fotografia é para a alma”, afirma a profissional ao mostrar, orgulhosa, a última foto em família na presença do pai.

O Minha História do Senac desta semana conta a história de Letícia Guimarães Camargo e de sua mãe, Vanuzia Moreira Guimarães Camargo. Uma história de sonhos, perdas, recomeços e superação. Assista ao vídeo completo AQUI.

A relação de Letícia com a fotografia começa anos atrás, quando desde muito nova ela já era a responsável por registrar os momentos em família durante festas e encontros especiais. Ao finalizar o ensino médio, iniciou seu primeiro emprego, mas logo depois decidiu sair para estudar fotografia.

“Procurei bastante e o Senac me chamou a atenção de primeira. No início, fiz o curso básico para saber se realmente era isso que eu queria. Foi quando me apaixonei mais ainda pela fotografia”, conta. Em 2016 Letícia ganhou o curso de seu pai e a câmera de sua mãe. Não tinha nem terminado a formação quando conquistou seu primeiro cliente. Aquele foi apenas o começo de uma jornada de muito conhecimento.

De filha para mãe

Antes de ser assistente de fotografia da filha, Vanuzia trabalhava como costureira. Após a filha manifestar o interesse em ser fotógrafa, ela abriu mão do cômodo que usava para costurar em casa para que o espaço se tornasse um pequeno estúdio para que Letícia iniciasse na profissão.

Em 2022, uma grande perda mexeu com a família. O pai de Letícia faleceu repentinamente e diante do luto, Vanuzia, por insistência da filha, também realizou o curso de fotografia. “Foi um dos momentos mais difíceis. Meu pai faleceu em cerca de um dia. Então foi um choque. Eu apoiei muito a minha mãe, mais ainda do que a gente se apoia. O meu irmão também. Falei para ela: ‘Você vai fazer o curso para uma ajudar a outra’”, lembra.

“Eu me apeguei nesse curso com muita garra para sair daquele momento tão difícil na nossa vida. Então, para mim, foi muito especial esse curso, muito mesmo. Foi uma coisa extraordinária na minha vida. E a [instrutora] Sabrina foi muito especial naquele momento. Ela me chamou um dia no final da aula e conversou muito comigo, me dando muito apoio. Disse que não era para eu desistir, porque aquele momento era difícil, mas não era para eu desistir”, conta Vanuzia emocionada.

Mãos à obra

Foi então que ambas decidiram aumentar o estúdio, um sonho antigo que Letícia sonhava junto com os pais tempos antes. “Tínhamos o sonho de construir o estúdio externo, então eu falei: ‘Mãe, eu vou fazer. Eu vou fazer do jeito que meu pai falou que queria, do jeito que eu e ele sonhamos’”, conta.

O tio, mestre de obras, foi o chefe da equipe formada pela própria família. “Demorou um pouco mais porque era só a gente mesmo e minha mãe ajudou sempre ele. Na hora da laje fizemos um mutirão com a família, com os meus tios, com os meus primos”, recorda.

O novo estúdio abriu diversas portas e possibilitou a Letícia e Vanuzia conquistarem vários clientes. “Para mim é um sonho. Eu olho e não acredito que construímos isso aqui com nossas próprias mãos e com a ajuda da família. É incrível. É um sonho realizado. É pequeno, mas é com muito amor, muito carinho, com muita paciência”, afirma Vanuzia.

O gostinho de conquista é ainda maior quando Letícia lembra do pai. “Eu sei que se ele estivesse aqui, ele estaria muito feliz por nós. Ainda faltam alguns detalhes, não está como a gente realmente ainda quer, mas nós conseguimos”, celebra.

Para Letícia e Vanuzia, a fotografia é mais que uma profissão, é um sonho, uma conquista. Quando se lembra do pai, Letícia descreve a fotografia como algo ainda mais profundo.
Antes dele falecer, Letícia pediu para que fizessem uma foto de Natal, mas inicialmente o pai não aceitou, pois não gostava de ser fotografado. “E eu consegui conquistar ele a fazer essa foto. E foi a última foto que fizemos em família. Por isso eu falo da importância da fotografia na vida da gente, de registrar momentos que às vezes não teremos mais. E a memória da gente falha, então é bom reviver aquilo. É para a alma. Fotografia é para a alma”, conclui Letícia.